Somos todos Gustavo de Carvalho. Censura nunca mais!

Foto: Gabryel Sampaio.

Esse é meu primeiro texto aqui no site. E, infelizmente, já vou começar com um assunto que nem aconteceu no carnaval, porém, é assombroso e não pode ser deixado passar: A censura nos dias atuais.
Recebi esse relato do profissional da área de criação e moda Gustavo de Carvalho, em uma apresentação na Casa de Criadores em São Paulo, no último dia 12/05, e através desta, eu, juntamente com o pessoal do JOVENS BAMBAS viemos nos solidarizar com a equipe desse profissional e dizer que não podemos tolerar nenhum tipo de censura ou preconceito. Vivemos numa sociedade moderna de uma nação com o político pautado em cima da democracia. Em qual situação um diretor ou organizador de evento tem o direito de dizer que uma equipe de profissionais não tem direito a liberdade de expressão? Às vezes me pergunto: Estamos vivendo um retrocesso ou convivendo com boçais? Levamos anos para conquistar os nossos direitos de ir e vir, de nos expressar, para alguém, em pleno 2017, querer censurar profissionais. A política é vivida no nosso dia a dia em cada situações vividas por nós, temos que ter o nosso direito de liberdade de expressão garantido e respeitado por todos.
Depois de um desfile aplaudido e elogiado pela plateia, como podem censurar as imagens oficiais, derrubarem páginas referente ao trabalho, não divulgando, escondendo e ocultando o seu trabalho como se estivesse vivendo na ditadura militar, não podemos deixar isso acontecer, não podemos deixar essa opressão preconceituosa calar a liberdade de expressão do povo brasileiro, não calarão a voz de um cidadão por ele pensar diferente do pensamento da situação. Desta forma repudiamos qualquer forma de opressão, censura ou preconceito a quem for, não aceito injustiça, vivemos numa sociedade igualitária com livre liberdade de expressão garantida pela constituição, com manifestações políticas ou não.

Por: Léo Castro.
“AMAR SEM TEMER”

Foto: Gabryel Sampaio.

Confira o relato de Gustavo na Íntegra:

"No dia 12 de maio de 2017 estava em São Paulo para apresentar minha nova coleção XINGU na 41ª edição da Casa de Criadores. Esse era meu 7º desfile de carreira então decidi pensar diferente e criei esse desfile todo em vídeo ao invés de apresentá-lo em uma passarela física, com isso pude pensar e apresentar essa coleção em uma linguagem mais próxima do que seria um teatro contemporâneo dividido em 3 atos, sendo eles: 1- Performance musical da cantora Verônica Valentino  e guitarra de Adriano Salhab; 2- Vídeo - desfile; 3- Aplauso - Instalação sobre manifestação.
Tudo correu bem no decorrer do dia, fomos postos como primeiros do dia, então eu e mais 7 membros da minha equipe fomos para a fila de entrada do desfile e começou a rolar o vídeo vinheta do evento e em seguida deu a deixa para começar o primeiro ato com a apresentação de Verônica. Ela cantou só no vocal Coração do Mar de Elza Soares e em seguida o Adriano Salhab a acompanhou em uma linha homenagem ao Belchior cantando Sujeito de Sorte. No final da apresentação Verônica sumiu do palco junto da tela de projeção que descia para apresentar a segunda parte em vídeo. No final do desfile em vídeo,  Verônica regressou ao palco para dar inicio ao último ato que era uma instalação que retratava o rito da manifestação da política, trazendo em mãos um cartaz escrito: Eu (r)existo! Sou Trans ! E seguido da Verônica, eu e mais outros 6 membros da equipe entramos na passarela para recebermos os muitos aplausos que foram feitos durante os três atos do desfile e aproveitamos para dar voz e cara ao real cenário que nosso país esta vivendo. Continuamos com nossa instalação manifestativa até o final da passarela e voltamos. Todo o momento fomos aplaudidos, no ato da placas, do vídeo e da performance. O público realmente aplaudiu muito esse desfile durante todo os três atos. No final quando saímos da passarela, tinha pessoas na plateia gritando e expondo suas opiniões políticas. O desfile saiu do campo apenas da passarela, e se misturou, emocionou, envolveu os espectadores como quando estamos diante de uma obra de arte e ela no causa alguma sensação/emoção.
No final do dia, após todos os desfiles, estava eu e mais 2 membros da minha equipe retirando o material do desfile para irmos embora, quando o diretor do evento se aproxima e aos gritos direciona a palavra a minha pessoa dizendo que eu não tinha a liberdade de expressão para apresentar o desfile que estava desenvolvendo em 18 meses da forma que fiz  pois os patrocinadores do evento não queriam seus nomes envolvidos com política. E por isso eles iriam me censurar.(moda é política, como você patrocina um evento de moda e não quer se envolver na política? Outro ponto, na criação do ultimo ato pensei nessa instalação por que queria destacar algo que vejo no nosso pais que é um grupo que detém mais poder oprimindo as vozes e falas que não os agradam, e o evento ter feito isso comigo só legitima o que eu estava querendo destacar)
Tudo que foi mostrado fisicamente o evento não liberou imagens. Nos dias seguintes, além de matérias e mais matérias saindo sobre o dia 12 de desfiles e nenhum registro sobre o que apresentei, percebi que meu Instagram foi derrubado (até o exato momento ele ainda não voltou), meu site parou de funcionar e tentaram invadir meu Facebook. Poderia pensar que tudo é apenas coincidência, mas acho que não... Nos primeiros dias foi bem difícil lidar com isso, e ainda não estou sabendo muito bem como lidar visto que estão tentando tirar minha liberdade de expressão. Não acho que o evento poderia ter feito comigo o que eles fizeram, inclusive acho que nenhum local deveria censurar o outro. Ainda mais por um trabalho político, a arte é política, a moda é política. Viver em sociedade é uma experiência política, então por que meu desfile não pode ser um recorte visceral da realidade nua e crua que nos encontramos? O momento pede urgência na fala, a censura apenas legitima a opressão e a falta de liberdade de expressão."
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